Passa tão rápido...


Meu Deus, como passa rápido... lembro-me como se fosse hoje, quando ainda criança, achava o máximo ter uma mãe de 30 e poucos anos. Hoje estou eu aqui com esses mesmos 30 e poucos anos da minha mãe.

Como se fosse ontem, lembro do meu primeiro dia na escola Ana Nery. A que se tornaria a minha melhor amiga na escola, chorava tanto que me dispus a segurar a sua mão, para que ela não se sentisse só. Alice era filha de militar e sentia medo do novo. Já eu? Queria desbravar o mundo. Trocamos experiências de poucos anos, e ali inciamos uma amizade que durou o suficiente para se tornar inesquecível.

Lembro-me também de outro dia ter usado o primeiro sutien, ter dado o primeiro beijo e ter sido pedida em namoro pela primeira vez. Quando o novo ainda não assustava, pois a vontade de viver atropelava todos os medos. Hoje o medo atropela a vontade de viver.

Lembro-me de ontem ter provado iniciado o primeiro dia de trabalho. Carteira com a primeira assinatura, uniforme bem passado e cheia de vontade de aprender. Meu primeiro salário? O que fazer com tanto dinheiro? Hoje às vezes ainda me faço essa pergunta.

Lembro-me de outro dia ter tirado a licença para dirigir. Quanto medo daquele instrutor... hoje toda quando tenho que renovar essa coisa, tomo um susto. De 5 em 5 anos me dou conta de que o tempo passa mesmo nas fotos 3x4.

Outro dia mesmo, fui morar em Brasília. Logo depois voltei pra Salvador. No dia seguinte fui morar em São Paulo e agora estou aqui em Campinas. Uma nômade de raízes no coração, que assusta quando pensa em quantas vezes mudou de casa, sem saber se a mudança maior ocorreu por dentro ou por fora.

Será que o tempo cega? Tem alguma mágica aí escondida, uma trapaça dos céus, quase sempre nos fazendo acordar quando já passou.

Ontem ainda, estava escolhendo o meu vestido de noiva... olhos brilhando pelo sonho a qualquer custo de ter uma família. E por ter um coração bom, tomei porradas que me fizeram mais forte, forte o bastante para compreender que eu merecia mais. E preferi por tanto, estar só, para poder ter a chance de quem sabe ser feliz de verdade.

Há quem me julgue pelo divórcio. Há quem pense que sempre serei capaz de dar "adeus" sem pensar duas vezes. Assim como o tempo, os julgamentos também são cruéis. Não recrimino esses pensamentos, afinal é mais fácil me rotular assim.

Lembro como hoje, o dia que parei de usar as lentes de contato. O dia que me dei conta de que havia perdido 15kg. O dia em que me olhei no espelho e percebi que sou mulher de verdade. Muitas vezes não sei o que fazer com tudo isso.

Só sei que tudo passa rápido e preciso fazer toda essa Graça de Deus valer a pena. Só tenho grandes lembranças nessa vida. As únicas dores de verdade foram de amor sem reciprocidade. Se todas as dores do mundo fossem de amor, talvez o mundo não estivesse entrado em colapso.

Eu só sei que tudo passa, e passa rápido. É preciso cada vez mais ser feliz com o dia de hoje e não permitir longos períodos de insatisfação. É preciso aprender a sorrir por pouco. E também não se aborrecer por pouco. Se preocupar apenas com o que vai gerar resultados, ou quem sabe deixar de se preocupar, já que a maioria das coisas independem de preocupação. Agir é mais importante que qualquer outra coisa.

Quando será que escreverei novamente sobre esse tema - tempo? Quais os novas lembranças estarei recordando? A vida há de ser celebrada a cada nova fase. E jamais se acomodar. Porque a cada dia uma nova chance de fazer diferente. A cada momento uma nova chance de sorrir e aprender nessa incrível jornada que só anda pra frente.

O tempo corre, ou melhor, "escorre pelas mãos". É preciso estar desperto para não carregar o peso das escolhas mal feitas, que no final, só quem vive mesmo, saberá.




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