Eis aqui o meu coração



Eis aqui um cristal.

Uma utrassonografia do meu coração. Que de tanto ser serrado de dor, se tornou lapidado e multifacetado.

Eis aqui a certeza de que sem amor não há vida, não há luz e nem consciência. E com a esperança de que é possível a superação da dor, ofereço a minha gratidão a quem me fez descobrir a maior das minhas potencialidades, a de me transformar, moldar, crescer e amar.

"Sem amor eu nada seria", assim como, de fato, não era. E assim como quem abre portas e janelas para o sol entrar, o dia de hoje se tornou mais bonito, porque a ilusão acabou. A mente ao contrario do amor, é a ilusão de quem acha que sabe o que é melhor para si e para os outros. Mas contradizendo toda a minha suposta razão, através da renúncia compreendi em essência, o que muitos passam vidas sem entender.

Sim, só amor sabe o que é verdade. 

"O amor é o fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente 
É um contentamento descontente 
É dor que desatina sem doer"

E e ele que me faz melhor a cada dia. É a razão do meu perdão e da minha solidão. É o ombro da minha mãe carente e é o que emociona o meu pai a andar por essa vida. É o que traz sentido para minha existência.

É o amor que motiva meu irmão em sua busca incansável e o que certifica a dedicação dos meus colegas no trabalho a cada dia. É o que me fortacele a usar as palavras certas a quem precisa e o que ainda me mantém viva acreditando na humanidade.

"É um não querer mais que bem querer
É solitário andar por entre a gente 
É um não contentar-se de contente 
É cuidar que se ganha em se perder"

O amor identifica, aceita e age, mesmo sem retorno, já que é qualidade do desinteresse. É feito de doação e não do mesquinho receber, porque se nutre de amor próprio.

Eis aqui um cristal, um coração e um intenso amor.

Tem o tamanho infinito da beleza, mas que, como todas as coisas belas, precisa de cuidados. Depois de lapidado, qualquer batida pode ser irreparável e por isso segue muitas vezes solitário. Delicadeza que alguns não conseguem anfitriar. Gentileza que muitos não conseguem  retribuir. Mas acredite, o maior beneficiado do amor é quem ama e não o ser amado. O ser amado, numa relação sem reciprocidade, não consegue compreender o quanto o amor enobrece.

Amor, o oposto do medo. O maior dos gritos de liberdade. Porque só é amor, quando é capaz de ser declarado, mesmo na escancarada vulnerabilidade. Acorrentado é quem triste de medo, mantém latente e escondida essa preciosidade. Livre mesmo é quem sabe amar.

Definitivamente, sem amor, (hoje percebo) eu nada seria.


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